Prós e contras na aprendizagem da língua italiana para falantes do português

Aprender uma língua, não importa quão similar ela seja a sua, é sempre difícil e exige empenho e – muita – determinação. Após meses de quase desistência, eu resolvi escrever um post para reclamar mesmo. No entanto, depois de ficar encarando a página em branco do computador na minha frente, percebi que, além de não ter diferentes motivos para explicar que ”italiano é difícil” ou que ”italiano é diferente do português por isso e por isso”, acabei me dando conta também o quanto eu amo essa língua. Independente das vezes em que eu tentei falar em italiano e pareci uma criança de 3 anos com síndrome de down, ou das tantas milhares de vezes em que eu tentei entender como usar as preposições com pouco sucesso, ou de como é díficil manter o foco e continuar estudando, eu amo italiano mesmo assim. Por isso, ao invés de reclamar, eu resolvi escrever um post para ajudar aqueles amigos e amigas que estão decidindo qual será a próxima língua que irão aprender e estipulei alguns prós e contras, na minha opinião, de aprender italiano.

Pontos negativos:

 

Falsos amigos

Esse com certeza é o ponto negativo mais chatinho. No meu primeiro mês estudando, pensei até que fossem coincidências, mas não, a língua italiana tem muitos falsos amigos com o português brasileiro. Falso amigo, para quem não sabe, são palavras com escrita idênticas em duas ou mais línguas, porém com diferentes significados. Ás vezes, a confusão pode ser até engraçada! Alguns exemplos:

Come                    Como (e não ”comer” conjugado na 2a pessoa do singular)

Guardare             Assistir, olhar (nada a ver com ”guardar”)

Espettare            Esperar ( e não ”espetar”)

Birra                      Cerveja (e não a ”birra” que as crianças fazem!)

Burro                     Manteiga (e não o animal)

Cercare              Procurar (e não “cercar”)

Prego                  De nada, por favor (e não aquele de martelar)

Salire                   Subir (esse demora pra entrar na cabeça!)

Testa                   Cabeça (pois ”testa” em italiano é ”fronte”)

Parece bobagem, mas a verdade é que quando estamos iniciando em uma nova língua, falsos amigos não nos ajudam muito. Mesmo quando você já sabe o significado de uma palavra, já estudou, revisou, leu milhares de artigos, e já viu aquele vocabulário no seu sentido correto, a sua mente automaticamente te prega uma peça, pois essa está acostumada a usar aquela palavra no sentido da sua língua materna. Haja paciência.

Preposições

Esse é o ponto negativo mais difícil de enfrentar: as preposições da língua italiana. O único lado bom é que, na verdade, preposições são difíceis em qualquer língua, então não é um exclusividade do italiano. As preposições simples são oito: DA, DI, PER, TRA/FRA, SU, IN, A e CON. A uma primeira olhada não parece tão assustador, pois num primeiro momento você acha que DI, PER, IN, A e CON podem ser substituidos por DE, PARA, EM, A e COM, mas é aí que você se engana. Elas não possuem o mesmo significado sempre, e são usadas em diferentes contextos. Temos que desligar de novo aquela vozinha intuitiva na nossa mente e tentar entender o significado de cada uma na nova língua. O que acontece é que, por mais que existam regras bases, há milhares de excessões e exemplos que não entram em nenhuma dessas regras. Então, quando iniciares no mundo das preposições em italiano, não se preocupe, não será na primeira e nem na segunda vez que entenderás como usá-las. É necessário muito tempo, prática, leitura e escrita… A confusão piora quando temos que estudar as preposições articuladas logo depois. Com essas a lógica é fácil, pois o mesmo processo ocorre no português – por exemplo, ”de” + ”o” = do. O problema é que para usar a articulada, você tem que ter entendido a simples antes, se não está tudo errado! E como preposições são muito usadas numa língua (difícil arquitetar uma frase sem uma delas!), lá vamos nós aos trancos e barrancos tentar se pronunciar em italiano.

Plural

Logo no início da jornada aprendemos artigos, substantivos, gêneros e… Plural. Se você quer iniciar-se no italiano, já deve saber que nessa língua não é simplesmente acrescentado o ”s” no final de palavras no plural. Em nomes e adjetivos masculinos, acrescenta-se “i” no final da palavra e em femininos “e”. Como em “ragazzo” torna-se “ragazzi” e “ragazza” torna-se “ragazze”. Novamente, a nossa intuição interna quer acrescentar o ”s” para plurais, o que pode levar um pouco de tempo para se acostumar com o italiano na fala. O difícil mesmo de superar no início do aprendizado é entender e usar corretamente os artigos. De novo, não se acrescenta simplesmente o ”s”, então artigos definidos e indefinidos são um pouco mais complexos do que no português: la, il, lo se tornam le, i, gli. Esse não é o pior desafio, mas é o primeiro que enfrentamos.

Pontos positivos:

 

 

Pronunciação

Aqui o italiano ganha pontos positivos em relação a muitas outras línguas. Você fala exatamente o que escreve. E esse é um dos motivos do porquê os nossos problemas com pronúncia quando aprendemos essa língua são, geralmente, mínimos a nulos. Por exemplo, no português brasileiro tendemos a pronunciar “ti” e ”di” como ”txi” e ”dxi”, enquanto que no italiano pronuncia-se como no português europeu. Também trocamos frequentemente ”o” por ”u” e ”e” por ”i”, enquanto que no italiano essas letras manterão exatemente o mesmo som. Como em ”gatto” onde temos que manter o ”o” na fala, enquanto que em português ”gato” pronunciamos ”gatu”. É tão fácil que não tem nem muito o que escrever sobre isso. Easy peasy.

Similariedade

Apesar de haver muitos falsos amigos, não podemos negar a forte similariedade entre as duas línguas. Quem já tentou ou aprendeu outras línguas, consegue ver isso ainda melhor. No início da nossa jornada como aprendizes, é normal e aconselhável para iniciar a falar, dizer a palavra que se quer em português e somente italianizá-la. Parece brincadeira, mas funciona 80% das vezes. É claro que com o tempo só isso não é suficiente, mas essa dica ajuda a passar pelas primemiras barreiras da linguagem. Há inúmeras palavras no vocabulário italiano que se assemelham ou são a mesma em português. Além do mais, a similaridade nos faz ver que, talvez, italiano não seja, assim, um bicho de sete cabeças.

Cultura

Agora, o melhor motivo de todos. Mesmo para você que talvez nunca teve a oportunidade de conhecer o país, com certeza já deve ter uma idéia. Além da aproximação histórica grande entre os dois países (eu venho do Rio Grande do Sul, então a aproximação é ainda maior!), aspectos da culltura italiana vão fazer você escolher essa língua, com toda a certeza. Quando queremos aprender uma língua, sejam por motivos particulares, profissionais ou hobby, o interesse pela cultura daquele(s) país(es) é muito importante. Eu poderia parar por aqui, pois somente a culinária já é motivo suficiente, mas há também atitudes no dia a dia, hábitos saudáveis e a beleza indiscutível do país.

Aprender uma língua vai ser sempre difícil, não importa o que digam. Há aqueles afortunados que aprendem rápido, e há aqueles pobre mortais como eu que não. O segredo é não se comparar e não ser injusto consigo mesmo. O pouquinho que você se dedica dia após dia já faz a diferença e você nem percebe! Primeiramente, escolha a língua que você gosta mais e aprenda se divertindo, e não somente estudando, como uma responsábilidade, algo que deve ser feito. Depois, aprenda a perceber os pequenos avanços que você fez. Leva tempo, mas, obviamente, é muito gratificador!

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5 Replies to “Prós e contras na aprendizagem da língua italiana para falantes do português”

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